Ganhou dimensões enormes a declaração do Rafinha do CQC ao afirmar que “pegaria” mãe grávida e filha. Evidentemente, trata-se de uma piada de muito mal gosto e desnecessária. É importante, no entanto, colocar a situação no exato ambiente em que ela se dá.
Não é de hoje que se debate o conteúdo da programação da TV brasileira. Em alguns momentos, o drama pessoal toma conta de nossa tela em exposições desnecessárias e violência de todo tipo é tema de filmes e novelas constantemente. Além disso, piadas com negros, judeus, nordestinos e, principalmene, pobres , fazem parte dos mais variados programas em todos os tempos. Podemos levantar ainda, a maneira lamentável como a mulher é mostrada na TV em progamas onde o sexo é o verdadeiro motivo de sua existência
Sendo assim, o que há de novo no episódio do Rafinha? Creio que o limite do aceitável tenha se transformado em padrão de sucesso na TV e ganhou repercussão maior ainda com as redes sociais. A vida dos famosos virou objeto de desejo e desperta amor e ódio. A privacidade das pessoas foi sendo perdida numa via de duas mãos: o próprio famoso fala de sua vida particular sem maiores cuidados e deixa a porta aberta para os intrusos de plantão.
Uma piadinha exagerada aqui, um peitinho que salta num mergulho, uma bunda bonita que enche os olhos da rapaziada, uma ofença pública acolá e o formato dos programs humorísticos vai ganhando contornos lamentáveis. Para piorar, esses mesmos gênios da comunicação vão se transformando em formadores de opinião. E falam de tudo: economia, política, futebol, comportamento, cultura e qualquer coisa que julguem ser objeto de suas considerações debochadas, sempre com índices de audiência lá nas alturas.
Os comediantes desse programas de hoje são muito parecidos com os maiores idiotas que conheci na minha vida. Inconvenientes, perversos na convivência com os colegas, promotores de constragimentos diversos (bullying) e, em geral consevadores, oportunistas e individualistas.
Mais do que a demissão do Rafinha, precisamos responder com o dedo, não o do meio; como eles sugeririam, mas com o polegar para trocar de canal. Vamos dar um click nessa turma sem noção que se apoderou das tardes e noites da TV brasileira e esperar que o talento que efetivamente eles parecem ter, seja usado em cenas mais adequados ao se espera de um serviço público concedido pelo Poder Público. Mesmo que algumas dessas concessões tenham sido feitas num período de ditadura. Antes tarde do que nunca.
Em tempo: caso a grávida e o bebê fossem pobres da periferia, o Rafinha ainda estaria falando besteira na TV. Aposto uma cocada velha nisso.
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