O desequilíbrio promovido pelo homem no planeta ficou evidente na tragédia do Japão. Não me refiro à emissão de CO2 no espaço, ao descaso com o lixo produzido diariamente e com as conseqüências que isso nos trará. Meu pensamento foi mais longe no tempo. Fui ao ato fundador da capacidade humana de se erguer, andar e pensar de forma distinta das demais espécies que habitavam o planeta. Daí por diante, o jogo passou a ser desigual. Tudo nos parecia favorável, mas o jogo vai dando sinais de quem será o verdadeiro perdedor.
Nossa presença no território é naturalmente destruidora do equilíbrio encontrado pelo homem onde quer que ele chegue. Não existe espécie do mesmo porte que o nosso em número equivalente à presença humana na terra, principalmente na forma de concentração em que convivemos. Nosso alimento vem de produções em larga escala em fazendas e frigoríficos. Aquecemos nosso corpo, ou o refrescamos com máquinas de mudar o tempo. Moramos onde não poderíamos morar. Transformamos em energia substâncias retiradas do planeta. Tudo isso em escala de bilhões. O sistema funciona no fio da navalha e as catástrofes se encarregam de nos mostrar essa fragilidade da pior forma possível – com dor e sofrimento.
E agora, o que fazer com uma usina nuclear prestes a explodir? Como recompor hectares de terrenos devastados em tempo célere suficiente para recompor a vida nos termos anteriores à tragédia? Causou-me perplexidade observar japoneses se aquecerem ao lado de uma fogueira improvisada.
Certa vez, por coincidência do destino, deparei-me com duas fotografias de aspectos muito parecidos, mas que continham informações completamente diferentes. Uma era a mancha da progressão de um câncer num órgão. A outra era a mancha da ocupação de uma comunidade numa cidade ao longo de dez anos. As manchas eram parecidas e ambas continham frentes de desenvolvimento desordenados e intensos. Seria vingança do equilíbrio corrompido, ou seria mera coincidência? O problema é que a dona do órgão fotografado faleceu daquele câncer e a tal comunidade sofria com falta de transporte, saneamento básico, água e nela a miséria e a morte imperavam. A mulher com câncer e o território se deteriorando: males da natureza humana, uma individual e a outra coletiva.
Pensamos em preservação do Planeta e isso é fundamental, mas precisamos repensar métodos de vida e seus limites. Não é possível viver nas condições que vivemos. Isto só se mantém para poucos às custas da miséria da maioria. A missão dos governantes é encontrar saídas para crise e não apenas encontrar planos de resgate de sobreviventes e reconstrução de cidades.
O ser humano precisa repensar sua relação com o planeta para manter as condições no único lugar onde comprovadamente podemos viver no universo – a Terra!!
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