Um momento a agradecer a Deus.

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Conduzir a tocha Olímpica foi um presente de Deus

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A Casa Viva e a Cultura

Uma casa da Rua Alice, em Laranjeiras, abriga atualmente um centro de reabilitação para usuários de crack recolhidos pela prefeitura do Rio de Janeiro, a Casa Viva. Não sou especialista em recuperação de drogados, mas me tocou fundo ver o espaço onde funcionava o Studio Escola de Atores ser transformado num ambiente onde a ação contra o uso de drogas tem, agora, foco num momento onde a luta contra elas se torna cada vez mais difícil.

Não quero cometer injustiça contra as pessoas que realizam o trabalho da Casa Viva. Pode ser que a equipe seja competente e a proposta correta do ponto de vista técnico (apesar do jornal O GLOBO ter denunciado o contrário). Mas é lamentável o que ocorreu com aquele espaço. O endereço viu surgir atores como Thiago Lacerda, Thiago Fragoso, Babi, Bruno Gagliasso, André Marques e tantos outros talentos. Nos últimos anos, o Studio desenvolvia parceria com o bloco carnavalesco O Remédio é o Samba na iniciação de jovens na prática do áudio visual. O projeto, um Ponto de Cultura do Ministério da Cultura, era realizado justamente no local onde sedia atualmente a Casa Viva.

Não foi a prefeitura quem alterou a natureza do uso da casa, é verdade. Nesse caso, está isenta de qualquer responsabilidade. O espaço era alugado ao Studio, que, com a crescente elevação dos custos para manter a casa aberta, não suportou e teve que entregar as chaves. Uma história que revela, por outro lado, a grande dificuldade que existe para se manter e desenvolver empreendimentos e ações sociais na área de cultura e educação.

O Studio é a primeira escola profissionalizante para atores de TV e Cinema da América Latina, título conseguido depois de árdua luta na burocracia do MEC e da Secretaria de Educação. A parceria com o bloco O Remédio é o Samba, que conjuga samba de raiz, carnaval e defesa da saúde, tem entre seus objetivos justamente afastar os jovens do uso das drogas. Nesse momento, Studio e bloco buscam um novo local para seu funcionamento e retomada do ponto de cultura que conta com recursos do Ministério da Cultura.

O bloco tem 11 anos de existência. É afilhado da Velha Guarda da Mangueira e do Salgueiro e desfila todos os anos na Avenida Atlântica, distribuindo preservativos, fazendo campanhas de prevenção ao câncer de pele, DST´s, dengue e participando de campanha de doação de sangue do HemoRio. Chegou a realizar um show no Teatro João Caetano para arrecadar doações para vítimas de enchentes, e costuma contar com participações de personalidades do samba como Noca da Portela, Ivo Meirelles, Jamelão, Valter Alfaite, Monarco, Dorina, Nelson Sargento e tantos outros. Seu projeto principal atualmente é conseguir um espaço para fazer oficinas de samba de raiz para adolescentes. Os professores seriam os próprios integrantes da Velha Guarda do samba carioca. Ninguém melhor que eles.

A prefeitura tem, portanto, a boa oportunidade de recuperar para a Cultura e a cidadania esse espaço importante. Bastaria transferir o uso da casa na Rua Alice para a parceria Studio Escola e O Remédio é o Samba.

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