É vergonhosa a atuação da mídia na cobertura dos grandes times do Rio de Janeiro. Na última quinta feira, o Flamengo levou uma goleada do Atlético Goianiense em condições pra lá de patéticas. Nas redes sociais, pipocaram gozações contra a vaidosa torcida rubro negra.
Nos dias seguintes ao jogo, para minha surpresa, parecia que o Flamengo vencera a partida em questão. As capas dos jornais davam ênfase à figura de Ronaldinho e as manchetes eram quase um lamento contra a má sorte do time da Gávea. Para evidenciar a maneira como o Flamengo é tratado, a manchete do O GLOBO neste sábado foi a seguinte: Envergar sem quebrar. É o fim da picada. Ou seja, o invencível Flamengo enverga, mas não quebra.
Esse comportamento é a tônica do tratamento dispensado ao Flamengo desde sempre. Para se ter uma idéia, houve, na década de 90, um jogo em que o presidente rubro negro, num rompante de arrogância e desespero frente às seguidas derrotas sofridas por seu time nas rodadas anteriores, disse que devolveria o dinheiro do ingresso aos torcedores, caso o Flamengo perdesse para a Portuguesa de São Paulo em pleno Maracanã. Derrota e vergonha consumadas, eis que foi formada a fila para devolução do dinheiro e, para minha surpresa, a Manchete de um jornal de grande circulação do Rio foi a seguinte: “Promessa cumprida”. Ou seja, o Flamengo é um clube de palavra.
Em situações adversas vividas por Vasco, Fluminense e Botafogo o tom sempre é outro. HUMILHAÇÃO, VERGONHA, CAIU DE QUATRO, TIMINHO, CHORO e APÁTICO são palavras freqüentes para falar dos rivais do Flamengo.
Há outros casos em terrenos éticos e políticos. A única Taça Libertadores do Flamengo é fruto de uma conjugação de assaltos ao Atlético Mineiro e da ausência de times mais fortes na trajetória à Tóquio, em 1981. Quando o assunto envolve os outros três do Rio, a tônica é outra. Caso exista um só fato duvidoso, eis aí o foco principal da matéria. A torcida do Botafogo, por exemplo, sempre que revê o jogo da final do brasileirão de 1995, lá está a marca da dúvida quanto à validade do gol do Túlio. É sempre assim.
Poderes sobrenaturais são atribuídos à torcida do Flamengo. Os maiores shows e feitos de vascaínos, tricolores e botafoguenses são sempre desvalorizados, quando não são ridicularizados. Isso é um atentado contra os milhões de torcedores desses clubes, em benefício da marca flamengo.
Em mais de 100 anos de vida, o Flamengo coleciona episódios maquiados pela imprensa. Há caos de mentiras contadas como verdades absolutas. Sendo o Flamengo um clube que mente acerca da sua própria data de nascimento para que ela coincidisse com o dia da proclamação da República do Brasil, nada disso deveria nos causar surpresa. No entanto, nos causa indignação.
O meu time, o Vasco, talvez seja a maior vítima desse processo. O Clube da colina é o único com origem popular e nascido longe da Zona Sul, sua torcida nasceu e cresceu a partir do subúrbio. No entanto, a elite carioca transformou o filho rico da burguesia fluminense no queridinho do povão. Mais uma estratégia, talvez a primeira, dentre tantas outras que construíram a imagem do Flamengo.
Termino manifestando todo respeito à imensa torcida do Flamengo que verdadeiramente faz parte da história e do imaginário popular do nosso futebol, sem abrir mão de reivindicar respeito aos demais torcedores do Rio de Janeiro. Alerto ainda que o Flamengo ganhou um novo companheiro de benefícios - o Corinthians. Mas isso fica para um outro momento.
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