Um momento a agradecer a Deus.

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Conduzir a tocha Olímpica foi um presente de Deus

domingo, 10 de julho de 2011

Em defesa dos grandes Clubes do futebol brasileiro

Surgem notícias de que vai ganhando força a idéia de blindar os grandes clubes brasileiros contra o rebaixamento no campeonato brasileiro da primeira divisão. Creio que essa iniciativa não só é acertada, como está atrasada em alguns anos.

Está em curso no futebol mundial intensa disputa por mercados consumidores das marcas dos grandes clubes do mundo. O resultado dessa disputa é a reprodução, no mercado da bola, do cenário econômico internacional da fase embrionária do capitalismo, no século XIX. O curioso é que na economia real, os papéis estão se invertendo a cada dia mais.

O Brasil vem assumindo posição central na economia mundial e países como Itália, Espanha e Inglaterra conhecem crise inédita e decadência sem precedente nos últimos cem anos. No futebol, essa crise não chegou. Em boa parte, esse fenômeno deve-se ao fato de que o complexo de inferioridade que acometeu a elite brasileira durante mais de quatrocentos anos não abandonou a lógica dos dirigentes esportivos brasileiros. Pior, o papel subserviente na cadeia produtiva e de negócios do futebol repete a fórmula adotada pela elite social e econômica ao longo de décadas seguidas no Brasil, onde uma minoria lucrava com a miséria do povo brasileiro e a participação periférica na economia mundial.

Os dirigentes de clubes brasileiros e os empresários do setor comportam-se tal e qual a elite dominante no Brasil atuou desde o período da escravatura até início do século XXI. Estes senhores, simplesmente, organizam o futebol brasileiro de forma a contribuir para o desenvolvimento dos clubes europeus. Preferem a periferia que lhes assegura poder local e dinheiro ao preço da falência dos clubes e do êxodo de nossos ídolos.

Sou um admirador do Ronaldinho, mas foi deprimente vê-lo barrigudo com a camisa do Corinthians disputando jogos oficiais. Guardadas as devidas proporções, esse filme era visto em décadas passadas com grades ídolos do futebol que terminavam suas carreiras em times pequenos da terceira divisão. O mais triste é constatar a fragilidade do nosso futebol, quando esse mesmo Ronaldo fez a diferença no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil vencidas pelo Timão. Nossos craques mais jovens estavam na Europa emprestando seus talentos aos patrocinadores que lucram enormes somas por lá, quando poderiam gerar renda e lucro para nossos times.

A fórmula é mesma em todos os clubes. Ronaldinho no Fla, Juninho no Vasco e Deco no Flu. Enquanto isso, Renato Augusto, Philippe Coutinho e Thiago Neves foram embora a preço de banana.

Quando a FIFA liberou o número de estrangeiros em clubes europeus, foi aberta a porteira para a decadência do futebol sulamericano. Imediatamente, ampliou-se o universo de empresários e profissionais a serviço da transferência prematura de jogadores brasileiros para o exterior. A rede dos grandes clubes europeus promove um arrastão nas categorias de base do futebol brasileiro. A busca de talentos, nesses casos, passou a se dar por amostragem. Os meninos vão às centenas, deixando os times brasileiros reduzidos à mediocridade. Os talentos raros, que permanecem no Brasil nos primeiros anos do profissional, são logo vendidos por valores ridículos se comparados às transferências subseqüentes em solo europeu. É uma vergonha o papel desempenhado por clubes e empresários brasileiros nesse processo. E a CBF é a agente oficial no Brasil dessa absurda engrenagem.

Esse processo atingiu dramaticamente os clubes brasileiros e argentinos e é evidente a decadência técnica de seus times e seleções. Enquanto isso, a outrora fracassada seleção espanhola joga o fino da bola depois de anos de influência de craques brasileiros e argentinos em seus clubes. Messi é a personificação maior desse fenômeno. Enquanto isso, o River Plate, uma das jóias do futebol argentino, passa pelo vexame do rebaixamento à segunda divisão. Em tempo: o Brasil está há duas Copas longe dos jogos finais e a Argentina está na fila pelo título desde 1986.

No Brasil, Botafogo, Fluminense, Vasco, Corinthians, Palmeiras, Atlético Mineiro, Bahia e Grêmio, sofreram o mesmo trauma e o clube de maior torcida do Brasil – o Flamengo, esteve muito próximo disso por pelo menos três vezes nos últimos anos. Enquanto isso, qualquer “timeco” europeu leva nossos jogares por quantias ridículas.

Neste cenário, submeter nosso futebol a um regime diferenciado de acesso e rebaixamento na primeira divisão do campeonato brasileiro pode não ser o ideal tecnicamente, mas é uma pequena maneira de proteger as marcas dos clubes grandes. É preciso lembrar que essas marcas deram contribuições centenárias ao Brasil. Protegê-las, portanto, não é favor, é obrigação de quem pretende zelar pela saúde financeira e do talento do nosso futebol e clubes.

Quanto aos demais clubes que, em tese, ficariam condenados a um papel menor, seria preciso um plano de ação adequado que valorizasse suas potencialidades e os mantivesse em condições de competição para o acesso à elite do futebol brasileiro. A proposta de proteção aos grandes clubes não é uma atestado de morte para os menores. Ou alguém acredita que um campeonato da série B com Palmeiras e Botafogo, como ocorreu em 2003, foi bom para os clubes que desejavam subir à primeira divisão?

É hora da virada no futebol brasileiro. O país se confirma como potencia econômica, sediaremos a Copa e as Olimpíadas e não dá mais pra o sol continuar a brilhar infinitamente para Espanha e Inglaterra no reino do futebol, enquanto nosso clubes vivem das migalhas do mercado da bola. Agora, é vez do Brasil.

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