O estudo anual do consultor
de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi acerca das finanças dos clubes brasileiros
traduz em números o drama que vive o Vasco.
Segundo o estudo, que tem
como base os balanços administrativos dos clubes brasileiros, o Vasco no ano de
2013, aumentou em 21% (quase cem milhões) o seu endividamento e teve um déficit
de 3,1%. Nosso clube ocupa posição destacada no quesito de endividamento,
justamente num ano em que foi rebaixado para a segunda divisão. O que aumenta ainda
mais a dramaticidade e o absurdo do caso.
Para além do estudo de Samoggi,
trago outros elementos para reflexão dos vascaínos. Aos resultados desastrosos
nas finanças e em campo somam-se os seguintes problemas:
A infraestrutura do clube
nunca esteve tão combalida. O Ginásio e o Parque Aquático estão destruídos.
O time campeão de 2011 foi
desmontado sem que tivéssemos recebido o dinheiro total das vendas de Dedé e
Diego Souza.
Nos últimos 5 anos,
vendemos a valores questionáveis Philippe Coutinho, Alex Teixeira e Marlone. Perdemos jovens
valores da base em razão de não pagamento de salários. Para piorar,
comprometemos parte dos direitos econômicos de outros jovens em transações que
trouxeram ao clube jogadores de péssima
qualidade, ou em fim de carreira vinculados a empresários, numa prática muito
comum a clubes do interior e de pouca expressão. Nunca para nós.
O Vasco saiu da faixa
principal da distribuição de cotas de TV e está em desvantagem a Flamengo,
Corinthians e São Paulo.
O programa de captação de
sócios – O Vasco é Meu é um fracasso. Na mesma situação se encontra o projeto de
franquias de lojas de varejo, com algumas sendo fechadas e outras em
dificuldade para os franqueados.
Não há sequer um esboço
razoável e crível de reforma de São Januário. Perdemos a chance de usar
adequadamente as oportunidades com a Copa no Brasil e desperdiçamos a chance de
sediar o Rugby na Rio 2016.
Ou seja, o cenário é muito
ruim. Nada disso, no entanto, me faz desacreditar na possibilidade de recuperação
do Clube. Minha preocupação reside muito mais na política interna do Vasco. Vivemos
duas décadas de agressiva luta interna. Num primeiro momento, havia uma
polarização a favor ou contra Eurico. Atualmente são todos contra todos, com
sangue nos olhos e pouco Vasco no coração e na mente.
A divisão do clube é
enorme, a tal ponto de nos impedir de reagir aos desafios externos que se
apresentam. Além disso, a instabilidade política diminui a confiança inspirada
pelo clube a possíveis investidores.
Neste sentido, é preciso
que os grande vascaínos coloquem o Vasco em primeiro plano. Não dá mais, por
exemplo, que não tenhamos uma data para as eleições deste ano. O que desejam
alguns? Que o Vasco permaneça na segunda divisão? Nosso clube e nossa torcida têm
pressa sede de vitórias. O tempo não para e o futuro cobrará a fatura do tempo
perdido.
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